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Exposição | “Cuerpo Bendito” de Cecília Fernandez | 27 de outubro a 27 de dezembro

Cuerpo Bendito
Exposição de fotografia de Cecília Férnandez
Artista convidada (vídeo e poesia) Benedita de Matos

Até 27 de Dezembro
De 2ª feira a 6ª feira das 10:00 às 18:30, e Sábado das 10:00 às 13:00 e das 15:00 às 18:00
(excepto quando decorrem eventos no espaço)

Entrada gratuita

CUERPO BENDITO

Esta é uma exposição que aborda um tema geral, partindo de um ponto de vista pessoal e
experiencial.
Vivenciei muitas turbulências e fases de amor-ódio com os diferentes processos dos ovários.
Sou mulher e convivo diariamente com fases “cíclicas”: a menstruação já me nocauteou, me
acompanhou, mas acima de tudo me ensinou a força das mulheres. O meu corpo mudou,
sofreu e foi dilacerado em cada um desses processos e, por vezes, lutei contra isso.
Ciente de tudo isso, amparo a minha feminilidade enquanto procuro uma liberdade mais
normal, plena, justa, menos julgadora e menos ofensiva.
Esta exposição converge-se em três atos intimamente unidos na minha própria vivência; não
é possível que funcionem isolados.

SANGUE
Somos cíclicas, não há como se perder, ainda que nos encontremos, por vezes,
desorientadas… vivemos eternamente num ciclo menstrual, mas ainda há muito que
silenciamos sobre nosso próprio sangue. Por muito tempo considerei como algo sujo, escuro,
muito íntimo e que era melhor encobrir, calar, esconder. Como se não existisse e não fosse
normal. Esse apagamento é algo cultural, uma construção social que deslegitima e despossui
o corpo feminino através da vergonha e do medo, mesmo sendo biológico e natural. Ainda é
um grande tabu para todos nós.
Já passei por 4 cirurgias de cistos ovarianos desde minha primeira menstruação, que inflaram
e desinflaram o meu espírito e também a minha barriga. Hoje continuo a lidar com este
problema e embora tenha sonhado com a chegada da menopausa, a sua visita mais ou
menos precoce mostrou-me que o processo estrogénico de ser mulher nunca termina aí. Sofri
desde que me lembro, muita dor com a menstruação, muitas mudanças físicas que não eram
bem-vindas e nunca foram fáceis… Tive de me esconder, chorar e tomar medicação para
regular o meu ciclo, mas acima de tudo tive que aguentar para continuar o meu dia a dia,
tentando esboçar o meu melhor sorriso mesmo vivendo um tormento dentro do meu ventre.
Não tive uma educação menstrual profunda, só entendi mais ou menos bem o processo de
sangramento quando comecei a tomar a pílula e tive uma pequena explicação sobre os
possíveis efeitos colaterais e as consequências caso não seguisse as devidas instruções da
bula do medicamento.
“Porque hasta parece que la misión femenina en el mundo es la de siempre aguantar, para ser
controlada en vez de Transformar la regla en una aliada y no una enemiga.”

CORPO
Entendo que a relação que estabelecemos com o nosso corpo é construída a partir de uma
perspectiva de limites, julgamentos e mandamentos com os quais estamos sempre a lutar para
sobreviver. Além dessas brigas que insistem em desapropriarmo-nos de nosso próprio corpo,
travamos também uma batalha interior, temos que lidar com o ciclo do nosso sangue, e aquilo
que deveria ser muito simples torna-se uma guerra através de rigorosos cânones
historicamente implantados.
No entanto, não pretendo entrar em debates sobre o corpo feminino, a sua objetivação ou a
necessidade de seu empoderamento… o que não é o tema desta exposição. O meu objetivo
é, sim, simplista: exponho 3 ou 4 fotos diretas de nudez que, entre outras, foram punidas,
proibidas e eliminadas pelo Instagram, por não cumprirem os regulamentos. E, mais uma vez,
como mulher cíclica, livre e revolucionária, sinto a minha liberdade restringida; sinto-me
controlada, mas este controle alimenta minha alma insurgente, retorno então com uma
necessidade ainda maior de divulgar essas imagens. Esta exposição não é um evento único
contra o Instagram, mas sim um paralelo à luta feminista atual.

LIBERTAÇÃO
Termino esta narrativa expositiva com a libertação: que é, acima de tudo, e particularmente,
um desejo. Conhecemos a verdadeira natureza ao sentirmo-nos livres, seguras, sem
controvérsias, sem tensão e sem necessidade de escondermo-nos. Porque nós mulheres, como
os outros seres, somos livres para fazer o que nos dá prazer: seja nos despir, fazer twerk,
escrever poesia ou fazer strip-tease; ou ainda: fazer tudo junto ao mesmo tempo.

Texto por: Cecilia Fernández

CECILIA FERNÁNDEZ
Fotógrafa eternamente apaixonada pelas imagens. Nasci na Bolívia, mas nos últimos anos da minha vida tenho conhecido o mundo. Quero continuar a ter a sensação de que sou de lugares que desconheço. Eu nunca soube realmente o que queria fazer da minha vida e, por isso, fiz várias coisas para acabar a fazer a primeira coisa que sempre quis fazer.
@cecifer76

BENEDITA DE MATOS
Artista convidada
Escritora e videoartista. Faço da poesia tal qual da filosofice: poesice. Brinco de transformar a subjetividade em objeto; transformo a realidade em metáfora e a arte em alegoria. E, talvez, minha indisciplinaridade esteja concentrada na minha incapacidade rítmica, simétrica e totalitária. Prezo pelo prazer de experienciar o desequilíbrio: aquilo do não-domínio; a presunção da artista que ainda é criança: quero um céu só meu.
@digabenedita

 

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